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Quando a Ausência é Iminente: Reflexões Sobre a Dor da Perda


Nem sempre conseguimos estar ao lado de quem amamos no momento da perda. Há ocasiões em que a vida nos impõe ausências abruptas e inevitáveis, e somos forçados a lidar com a dor à distância, em silêncio, sem a possibilidade do último olhar, do último gesto ou da última palavra. A ausência se torna então um peso que carregamos não apenas pela perda em si, mas pela impossibilidade de compartilhar aquele instante final.

Esse distanciamento — muitas vezes inesperado e inevitável — nos lança em um processo de luto que é sistemático, prolongado e profundamente doloroso. Um luto que não começa apenas com a morte, mas com a impossibilidade de estarmos lá, de sermos parte do encerramento. Enfrentamos, então, um vazio que se estende além da ausência física: é o sentimento de impotência diante do irremediável.

E quando não conseguimos oferecer resistência ou elaborar nossa presença simbólica nesse todo — nesse ciclo que envolve o adeus — acabamos por ser, em certa medida, excluídos daquilo que se encerra. O silêncio da ausência se torna uma espécie de exílio emocional. Faltou-nos o gesto, a despedida, e com isso, algo em nós que também deixou de partir junto.

Esse tipo de exclusão não é social, mas existencial: é como se estivéssemos fora do tempo da dor, embora mergulhados nela. E então, seguimos, tentando ressignificar o que não pôde ser vivido — para, quem sabe, dar lugar ao que ainda pode ser lembrado, sentido e transformado.

 
 
 

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